Espera Júlio M. Bicalho

Espera

O que fizemos até aqui senão esperar. Esperar mudanças, esperar estações, esperar sol e chuva.

Queremos tempo e movimento, mas apenas queremos, fazemos diferenças quando buscamos e ainda assim, essa coisa travada na mente nos faz esperar.

Esperamos alguém que está para chegar e talvez esse tenha chegado, mas não abrimos a porta porque esperamos.

Esperamos alguém falar, mas não tivemos tempo para ouvir, por medo de perder tempo de esperar. Esperamos o sonho, porém não sonhamos por medo de relaxar e não o receber.

Esperamos o amor, todavia fechamos o coração por anseio de ocupa-lo com outras coisas. Esperamos a paz, o equilíbrio e todas essas essências da vida, mas fizemos da vida uma sala vazia de espera.

Esperamos. Esperamos a viagem, mas não compramos o bilhete de embarque. Esperamos os frutos, mas não semeamos a terra, a terra está morta, pois, não tivemos tempo de cuidar, afinal o que é nossa vida senão esperar.

Esperamos o divino chegar, mas não preparamos festa alguma, nem trajamos as vestes de gala. Esperamos a chuva, mas reclamamos das nuvens.

Esperamos a paz, mas promovemos a guerra, desejamos viver, mas esperamos a morte. Raramente paramos para pensar em tudo que temos, e nunca enxergamos que é mais do que merecemos, esporadicamente faremos, estamos esperando mais e mais.

Esperamos ter tempo para realizar isso ou aquilo, mas ocupamos todos os tempos com os tempos que ainda não temos, esperamos melhorar o que é por excelência bom.

Esperamos pelo absoluto e perdemos o suficiente porque esperamos. Esperamos pelo que não temos e por esperar perdemos o que temos.

Esperamos e perdemos, esperamos agir, não agimos, porque esperamos A espera é um vazio, um eficiente corredor usando muletas.

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