No Espírito Santo, partidos têm ressalvas ao distritão No Espírito Santo, partidos têm ressalvas ao distritão

Caso o modelo de distritão seja mesmo aprovado na reforma política, os partidos só tenderão a perder espaço entre os eleitores. Esta é a avaliação da maioria dos dirigentes capixabas das legendas, insatisfeitos com a proposta já aprovada pela comissão da Câmara que discute o tema.

O novo sistema de voto para parlamentares faria com que fossem eleitos somente os mais votados, tornando as campanhas mais personalistas e beneficiando quem já é conhecido ou tem mais recursos, acreditam os presidentes de partido.

Para eles, é quase unanimidade que o modelo ideal seria o sistema distrital misto, que pode passar a valer nas eleições de 2022. Nele, metade dos deputados são eleitos por distritos e na outra o eleitor votaria em um partido, que teria uma lista de candidatos. A conclusão é que o distritão faz com que o eleitor tenha ainda menos identificação partidária ao longo do tempo.

“Para um partido ideológico, que tem bandeiras, programas, isso é péssimo. O candidato vai vender as bandeiras dele, e não da legenda. É uma desconstrução total dos partidos”, avalia o presidente do PDT, Sérgio Vidigal.

Para o presidente do PT estadual, João Coser, do ponto de vista político, o distritão é um desastre para a democracia e para projetos coletivos. “É para quem está lá preservar mandatos. É a personificação das lideranças.”

Lelo Coimbra, que representa o PMDB no Espírito Santo, considera o modelo do distritão como uma boa alternativa, no contexto de transição para o distrital misto.

“Busca-se primeiro ajustar as relações de representação em um outro formato com a sociedade. As pessoas vão saber em quem estão votando. E devemos lembrar que estamos diante de um sistema de voto que não temos como financiá-lo”, pontua.

Desta forma, para Lelo, a criação de um fundo com recursos públicos é a única saída. “O que foi experimentado na eleição de 2016, de contar só com doações de pessoas físicas, não consegue dar conta de uma eleição geral, com campanhas grandes, como de governador, presidente. O financiamento público é a única solução”, defende.

O presidente estadual do DEM, Atayde Armani, discorda da criação do fundo. “Não é o momento de aumentar despesas para nada. Entendo que não se faz política sem dinheiro, mas criar um gasto como esse seria algo para se discutir mais à frente, quando o país estiver estabilizado”, acredita.

Na mesma linha avalia o presidente do PPS, Fabrício Gandini. “Num mundo moderno, com internet, tínhamos que criar mecanismo mais inteligente, que custe menos dinheiro.”

VEJA O QUE ELES DIZEM

“O número de candidatos será menor com o distritão, o que aperfeiçoa o debate” - Lelo Coimbra, deputado federal e presidente estadual do PMDB

“A sociedade não pode pagar a conta que as últimas gestões deixaram em Brasília. Esses bilhões precisam ser revertidos para outras áreas” - Gustavo de Biase, porta-voz da rede sustentabilidade

“A tendência é reduzir a renovação na próxima eleição. As direções nacionais vão priorizar candidaturas a deputado federal que sejam competitivas” - Sérgio Vidigal presidente estadual do PDT

“É difícil campanha de presidente sem financiamento. Tem que ser público ou ter algum limite de privado. São beneficiados aqueles que têm riquezas” - João Coser, presidente estadual do PT

ENTENDA

Os pontos

Alterações que já foram aprovadas, no final da noite de quarta-feira, pela comissão especial da Câmara que analisa a reforma política

Sistema eleitoral

Como é

Vigora o sistema proporcional, em que o eleitor vota em candidatos isolados ou na legenda

Proposta

Valeria o chamado distritão, em que são eleitos os mais votados. Em 2022, o sistema passaria a ser o distrital misto, em que metade dos deputados são eleitos por distritos e a outra por lista de candidatos elaborada pelos partidos

Financiamento das campanhas eleitorais

Como é

Empresas estão impedidas desde 2015 de financiar os candidatos. Recursos vêm de pessoas físicas, do bolso dos próprios candidatos e dos cofres públicos, por meio do Fundo Partidário

Proposta

Seria criado um fundo público para custear todas as campanhas, com um valor que representa 0,5% da receita corrente líquida. Para 2018, ele seria de no valor de R$ 3,6 bilhões, mas iria variar a cada eleição

 

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