MPES denuncia esquema para propina em Fundão MPES denuncia esquema para propina em Fundão

Três dias depois de ver o grupo político sair vitorioso da eleição suplementar de Fundão, o ex-prefeito interino da cidade, Anderson Pedroni (PSD), foi denunciado pelo Ministério Público Estadual (MPES), nesta quarta-feira (4), por suspeita de negociação de propina com empresários do ramo da limpeza pública.

Ao todo, foram seis denunciados. Entre eles, Roberta Pedroni, ex-secretária de Saúde do município e irmã do ex-prefeito interino. Ela está na equipe de transição do prefeito eleito no último domingo, Pretinho Nunes (PDT).

Também foram denunciados o vereador Sandro Lima (PEN), o empresário Cláudio Nunes Braga, o advogado Sérgio Telles Vasconcellos e o irmão dele, Hélio Vasconcellos.

De acordo com a denúncia assinada pelo promotor de Justiça de Fundão, Egino Gomes Rios da Silva, o grupo agiu coordenadamente para que a empresa que presta o serviço de limpeza pública em Fundão fosse substituída por uma firma ligada a Cláudio.

O ESQUEMA

A denúncia é baseada nos relatos do empresário que responde pela Fortaleza Ambiental, empresa responsável pela coleta de lixo da cidade, que em seguida foi corroborada por depoimentos de outras dez testemunhas.

De acordo com o texto, que tem data de ontem, Roberta, acompanhada de Hélio e Cláudio, foi ao responsável pela Fortaleza dizer que ele deveria abrir mão do contrato em dezembro de 2016.

É porque o grupo político teria deliberado que, a partir de 2017, o serviço deveria ser feito por empresa ligada a Cláudio e Hélio, uma vez que eles “haviam ajudado financeiramente” a campanha eleitoral de Anderson Pedroni.

Pedroni foi o mais votado no pleito de 2016, mas não assumiu porque a Justiça eleitoral indeferiu a candidatura dele.

Como o empresário disse que continuaria com o contrato, outras pressões aconteceram. O vereador Sandro Lima, que é do grupo de Pedroni, também passou a fazê-las, segundo a denúncia, inclusive com “manobras aparentemente legítimas”, como denúncias para órgãos de investigação que “não foram escritas por ele”.

Além disso, Pedroni e o Sandro Lima teriam sido vistos fotografando veículos que faziam a coleta de lixo hospitalar, “o que evidencia que todos os acontecimentos envolvendo o caso eram de conhecimento de Anderson Pedroni”.

Conforme o texto do promotor, Cláudio e Sérgio, em novo encontro com o representante da Fortaleza, falaram que trabalhavam com Pedroni e com Sandro e disseram que o grupo precisava de dinheiro para cobrir despesas. O valor seria equivalente a 10% dos cerca de R$ 250 mil que a Fortaleza recebia mensalmente da prefeitura. Com o pagamento, a empresa poderia “permanecer, sem qualquer oposição ou embaraço” na execução do serviço até o final do prazo contratado.

“A oferta de propina foi apresentada diretamente por Cláudio Nunes Braga, agindo a mando e com ciência de Anderson Pedroni e Sandro Lima, contando com intermediação de Sérgio Vasconcellos”, escreveu o promotor.

Em seguida, em nova abordagem feita por Cláudio e Sérgio, teria havido um pedido expresso de pagamento de R$ 30 mil, indevidos, por mês, o que também teria sido recusado.

Em um dos depoimentos anexados, a presidente da Comissão de Licitação da prefeitura confirmou ter recebido pressão para atender a interesses do grupo. Ela gravou conversas que teve com Cláudio Braga. A partir dos áudios, a Promotoria concluiu que ele atuou para “intimidar a testemunha” para que ela atuasse junto a outras instâncias da prefeitura em favor dele, “incutindo a ideia de que o contrato com a Fortaleza Ambiental deveria ser rescindido”.

O prefeito interino de Fundão, Eleazar Lopes (PCdoB), também prestou depoimento. Ele falou em pressão de Sandro e Cláudio para “suspender o contrato imediatamente”.

 

 

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